Carlos Alberto Vieira Grade

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Os artigos

Carlos Alberto Vieira Grade, nasceu em 1946 no Algarve, na Guia (Albufeira) a 5 de Novembro, e ainda que o registo oficial seja de dia 17 desse mês, e referindo Alfragide, sempre se manteve fiel à data e à terra que o viu nascer. Está reformado quer da sua atividade de gestor, quer da sua atividade de Professor do Ensino Superior, atividades que exerceu em Portugal e, pontualmente, no Brasil. Prefere a designação de reformado-ativo, atendendo a que continua a trabalhar como voluntário em diversos atos de formação nas áreas da ação social e de gestão de marketing. É casado, pai de três filhos e avô de cinco netos a quem se dedica, diariamente, num exercício de aprendizagem contínua da e para a Vida.

Influenciado pela mãe, e em oposição a toda a restante família, imaginou – após a escola primária – ter sido chamado para o sacerdócio, tendo entrado, com dez anos, para o seminário menor de Santarém. Cedo porém descobriu que a sua vocação era outra e passados cinco anos optou por sair, mantendo-se, até hoje, na fidelidade a Deus e à Igreja Católica. Não é este período um simples e mero pormenor biográfico, mas um bloco formativo inescapável, no qual assenta um contributo fulcral para a formação do carácter do homem que é hoje, da sua atenção aos outros e da sua forma de estar no mundo.

Em 1968, quando frequentava o terceiro ano do curso, transitou por razões políticas, direta e abruptamente da Faculdade de Direito da UCL para o serviço militar em Mafra e daqui para o leste de Angola, um ciclo de rutura que o fez crescer na atenção para realidades abjetas da humanidade. No regresso, em 1971, entrou no recém-criado ISPA e por lá andou até ao 25 de Abril, mudando de curso e licenciando-se em História, decorria o ano de 1980. Foi convidado a ficar na Faculdade de Letras de Lisboa no Departamento de História como docente da cadeira “Ideias e Mentalidades” com o estatuto de professor assistente, enquanto prosseguiu os estudos de Mestrado que terminou em 1982. Conclui o Doutoramento em 1986 na Universidad Autónoma de Barcelona, curso de Comunicación Audiovisual y Publicidad, com especialização em Comunicação Empresarial.

Para estudar, teve que trabalhar. Desenvolveu sempre a sua atividade académica em sintonia com os desafios empresariais em que apostou. Em 1964, com dezoito anos, entrou para o Diário de Lisboa, como aprendiz na arte de ser jornalista, onde conheceu e aprendeu com grandes mestres como Mário Castrim (no fazer do Diário de Lisboa- Juvenil), Artur Portela Filho, José Manuel Teixeira, Fernando Assis Pacheco, entre tantos outros (a PIDE não gostou do seu trabalho e mandou-o para a “tropa”). No regresso do serviço militar, ingressou nos quadros da ITT (Páginas Amarelas), de onde saiu em 1974 para trabalhar na Socomar, empresa grega de transporte marítimo, como diretor comercial e responsável, a partir de Lisboa, pelo negócio na Peninsula Ibérica e Marrocos (74/76). Não aceitando mudar-se para Casablanca para dar continuidade ao seu trabalho, deixou a empresa.

Entre 1976 e 1978 voltou aos jornais, tendo inicialmente feito parte dos quadros do recém fundado jornal “O Dia”, antes de transitar para a Revista “Opção”, revista de actualidade e opinião política dirigida por Artur Portela Filho, com chefia de redação de José Manuel Teixeira.

Em 1978, a convite do Dr. Brás Monteiro, aceitou ingressar na Livraria Bertrand SA., mas foi com Manuel Bullosa, meses mais tarde, que assumiu a direção de marketing da Livraria Bertrand, tendo desenvolvido a sua atividade na redefinição da estrutura do departamento, criando e dirigindo equipas responsáveis e motivadas quer na área comercial e na distribuição (livros e revistas), quer na comunicação publicitária, quer ainda na reorganização das lojas existentes a nível nacional. Apesar das dificuldades políticas que o país atravessava – “período revolucionário em curso” – e das alterações sistémicas no desenvolvimento económico e financeiro, foi possível redesenhar a atividade do negócio e obter excelentes resultados, fruto não só da introdução da informática – passo gigante – na gestão da empresa, como da especial atenção à formação dos colaboradores na sua readaptação às novas funções, então emergentes. Rompeu com o tabu de que as livrarias eram espaços elitistas: abriu, pela primeira vez, a oportunidade do livro entrar nas grandes superfícies (Pão de Açucar), como produto à consignação; abriu, pela primeira vez, lojas Bertrand em Centros Comerciais (Brasília no Porto; Amoreiras, em Lisboa). Foi precursor na relação do mundo livreiro com a comunicação social, cujo resultado se mediu sempre pelo aumento de notícias, referências e críticas sobre os autores e livros lançados. Conheceu e trabalhou de perto com escritores nacionais consagrados como Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Dinis Machado, Teolinda Gersão ou Vasco Graça Moura e autores estrangeiros como Antonio Tabuchi, Gunter Grass, Woody Allen e Mário Puzo. Foram quatro anos de sucesso para a Livraria Bertrand que reganhou sustentabilidade financeira e aumentou a notoriedade e credibilidade para a imagem da marca.

Em 1982 surgiu o convite (Luís Lagrifa, DC 3) para ingressar na atividade publicitária. Foi amor à primeira vista. Na DC 3 (na altura, oitava Agência do Ranking nacional) assumiu a Direção de Clientes (Client Service) tendo trabalhado as contas da Mundial Confiança, Seguros, Banco Pinto & Sotto Mayor, Caixa Geral de Depósitos, Varig, Sovena, Santa Casa Misericórdia de Lisboa (Totobola e lançamento do Totoloto), AIP- FIL e Entreposto (Nissan).

Em 1986, a DC3 é comprada pela multinacional Ogilvy&Mather (primeira Agência de Comunicação do Mundo, nesse tempo) tendo sido nomeado Diretor Geral da Agência em Portugal sob a orientação da presidente e sócia D. Rosalina Tavares Machado. O ingresso na Ogilvy permitiu-lhe a experiência profissional de uma carreira internacional, tendo à sua responsabilidade toda a área de Business e Gestão de Clientes. O trabalho realizado é reconhecido por todos os clientes nacionais e internacionais que com ele lidaram profissionalmente. É reconhecida a sua capacidade de trabalho, a sua paixão pela definição estratégica das marcas, constituindo-se como um parceiro dos clientes da Agência, a saber, entre muitos outros: Shell (lançamento da primeira gasolina com aditivo “Shell 2000”); Ford (lançamento do Fiesta, do Orion e do Mondeo); Unilever (Lever: lançamento Radion; Fima: Becel; Elida Gibs: lançamentos Patrick e Dove; Olá: lançamento Magnum e Callippo); Moulinex; Polaroid; Mattel: lançamento da Barbie; Mimosa: lançamento dos iogurtes (ideia do patrocínio do programa televisivo da RTP “Vaca Cornélia”); Mundial Confiança, Seguros; Varig; AIP-FIL; Abril Cultural.

Como Diretor-Geral da Ogilvy em Portugal teve a oportunidade de participar internacionalmente em projetos estratégicos de marcas multinacionais, quer na casa mãe em Nova Iorque, quer em Londres, tendo temporariamente desenvolvido serviço no Rio de Janeiro, na Standart Ogilvy, Brasil.

De 1994 a 1996 é convidado por Carlos Barbosa, na altura administrador e sócio gerente da Press Livre (proprietária do Correio da Manhã e da Rádio Comercial) para integrar, após a sua compra, a equipa de gestão da Rádio Comercial com João David Nunes e Rui Pêgo. Foi um convite irresistível. O trabalho realizado permitiu aumentar não só as audiências da estação como as vendas em publicidade. Foi possível tomar algumas decisões – ainda que impopulares (acabar com a OM, colocar ao serviço da Rádio Nostalgia o emissor do Correio da Manhã Rádio) – que se mostraram fundamentais para a recuperação económica e financeira da estação.

Em 1996, com a venda da Rádio Comercial à Media Capital, tomou a decisão de sair do mundo da Rádio e de voltar à publicidade, criando no Porto a Agência de Publicidade O&M Porto, como filial da Ogilvy&Mather naquela cidade, constituindo-se como sócio-gerente e Diretor Geral. Com uma equipa de vinte pessoas, foi possível criar uma Agência de Publicidade com grande notoriedade no norte do país e constituir uma equipa altamente profissional e credível. O trajeto no mercado portuense teve as suas dificuldades, mas no segundo ano de existência foi considerada a maior agência do norte do país atendendo à faturação conseguida com clientes como o Banif (refreshing da imagem e lançamentos de produtos como Crédito à Habitação e Crédito Pessoal); Açoreana Seguros (criação do novo logótipo e campanha de lançamento da marca); Banco Comercial dos Açores (nova imagem); Pastor Serfin Servicios Financeros (lançamento em Portugal desta unidade empresarial do Banco Pastor); Instituto do Vinho do Porto (campanha institucional; Vinhos do Porto Brumester: campanha internacional dos produtos das caves); SCB (lançamento da SAD do Sporting Clube de Braga); Shopping Península (campanha publicitária e relações públicas); Fundação Serralves (campanha institucional); CIN (campanha institucional); entre muitas outras acções e campanhas concretizadas.

Paralelamente a toda esta atividade profissional, nunca abandonou a sua carreira como Professor do Ensino Superior. Entre 1990 e 2007 foi professor coordenador do Curso Superior de Publicidade no IADE – a sua atividade nesta escola é ainda recordada por todos quantos tiveram a oportunidade de o ter como professor das disciplinas “Estratégia de Comunicação” e “Projeto de Comunicação” ou nos cursos de Pós-Graduação de Marketing e Comunicação da Escola Superior de Marketing e Publicidade e de Comunicação e Imagem da Escola Superior de Design. Entre 1998 e 2003 foi professor da cadeira de “Comunicação” no IPAM – Instituto Português Administração e Marketing, em Matosinhos. Foi igualmente responsável pela cadeira de “Comunicação Empresarial” no curso de Pós-Graduação de Marketing.

Através do intercâmbio celebrado entre o IPAM e a Universidade de Pernambuco (Recife), fez parte da equipa internacional de docentes do MBA em Gestão de Marketing, deslocando-se ao Brasil três vezes por ano para ministrar o módulo de “Comunicação Empresarial” (1999/2003). Entre 2005 e 2007 foi professor da cadeira “Cultura, Ideologia e Mercado” no IPAM Aveiro, uma cadeira transversal a todos os alunos dos diferentes cursos.

De 2002 a 2007, exerceu a docência do módulo “Comunicação de Marketing” no MBA para Executivos da EGP – Escola de Gestão do Porto, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, hoje Porto Business School. De 2004 a 2007, foi professor do “Módulo de Comunicação Interpessoal”, no curso de Pós-Graduação das Ciências da Saúde da CESPU.

Em 2007, Carlos Grade resolve aceitar o convite para gerir um grupo de Comunicação em África. Do grupo fazem parte quatro empresas, desenvolvendo a sua atividade em áreas complementares como publicidade, produção audio visual, editora e outdoor. O projeto tinha tanto de interessante sob o ponto de vista teórico, como acabou por ser altamente frustrante na prática. Uma ideia empresarial com todo o sentido num mercado emergente em crescimento, mas ao mesmo tempo acompanhado de um crescente bloqueio profissional, fruto da falta de confiança entre sócios e parceiros. Aquilo que parecia ser um sonho transformou-se num pesadelo. Seis meses depois o projeto morria. Restou o sonho.

Em 2008, a Administração da SINFIC Angola SA., através dos seus fundadores Eng. Fernando Santos e Pedro Fragoso, lançaram-lhe o convite para fazer parte do seu quadro de gestores de unidades de negócio e suporte. Numa primeira fase, como gestor da Universidade Pangeia no Lubango, mas enquanto o projeto estava em análise na Secretaria de Estado do Ensino Superior, foi possível dar corpo e pertencer à equipa que em 2008 desenvolveu todo o processo de sondagens eleitorais para o MPLA. Foi um trabalho altamente profissional, de grande inovação científica e de aplicação tecnológica exemplar, em qualquer parte do mundo. Ainda em 2008, assumiu a função de Gestor de Marketing da SINFIC em Portugal e Angola, tendo sido possível recriar a imagem da empresa, bem como desenvolver toda uma declinação da imagem para as diferentes unidades de negócio, e a criação dos diferentes materiais promocionais. Na participação da SINFIC Angola SA. na FILDA de 2009, o pavilhão da empresa foi premiado como o melhor pavilhão, tendo conquistado o leão de ouro.

No desenvolvimento da ação da equipa da unidade de Marketing sob a orientação do Prof. Carlos Grade é justo salientar o aumento de notoriedade para a SINFIC, resultante não só da criação de seminários, conferências, workshops na apresentação dos diferentes produtos e atividades das distintas unidades da empresa, como também foi possível manter e criar uma relação de parceria com os orgãos de comunicação social e seus jornalistas. Foi sempre possível responder às diferentes solicitações do mercado e proporcionar um compromisso para um melhor caminho, tendo em atenção o próprio espírito da Administração no que respeita à coragem para desafiar e inovar, reconhecendo a mudança como bem-vinda e não temida. Em 2010, a SINFIC solicitou-lhe que aceitasse o desafio de liderar os novos projectos na zona leste de Angola. Aceitou sem hesitar a missão, que configurou um trabalho de grande exigência. Definiu uma direção clara, deixou vir ao de cima a sua capacidade de comunicador e de criador de boas relações humanas, planeou e definiu a melhor estratégia para atacar aquele mercado, praticamente virgem para a empresa. Como resultado, ganhou a confiança dos líderes locais (Governadores das Províncias e Administradores), possibilitou a empatia entre todos os intervenientes, criou relações e foi possível implementar projectos de grande desenvolvimento local nas Províncias da Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico.

Regressou a Portugal em 2012, por imperativos de saúde, mas continua ligado a Angola, apoiando amigos e recriando o espaço reservado ao conhecimento.

Durante a sua vida ativa, Carlos Grade participou como orador em Seminários e Congressos, partilhando a sua experiência profissional e conhecimento académico nas áreas da Comunicação Empresarial, Publicidade e Marketing. Tem artigos publicados em jornais e revistas nacionais e estrangeiros, quer generalistas, quer da especialidade. É formador certificado. E é autor de quatro livros de poesia; autor da entrada “PUBLICIDADE” na Enciclopédia Luso-Brasileira da Verbo; co-autor do livro “Microempresas – Artes e Ofícios tradicionais e microempresas comerciais (Lisboa, 2001); e ainda autor da “História da Publicidade em Portugal no Séc. XX” (a publicar).

Atualmente, é consultor na área de Comunicação Empresarial.

2 comments on “Carlos Alberto Vieira Grade
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