Criação de Valor: vencer dificuldades e fundar a comunidade

Artigo 5 de 6: Série COMUNIDADE E VALOR

Creation of  Value in ComunitiesNo artigo anterior desta série, explorámos as formas e os factores subjacentes à criação de valor, para pessoas e para a comunidade, no contexto de comunidades de proximidade, a partir da questão: será que o que dispomos corresponde ao que necessitamos? Essa reflexão concluiu com a indicação do âmbito municipal como a melhor aproximação prática para concretizar a libertação de valor e consolidação de comunidades. Neste texto, depois de identificarmos algumas das principais dificuldades a ultrapassar, avançamos com uma check-list concreta para fundar uma comunidade social de proximidade.

A primeira dificuldade está em identificar o que é valor, o que é que pode ter valor ou vir a ter valor.

A segunda dificuldade está em estabelecer os termos de troca, incluindo os casos de valorização da transferência da capacidade não utilizada ou excedentária, do que está em fim de vida, sem canibalizar o valor produzido na actividade normal.

A terceira dificuldade está em encontrar os interessados na disponibilidade existente, que não sejam os mesmos que já adquirem o valor produzido na actividade normal.

A quarta dificuldade está na realização da operação de troca, até porque pode ocorrer só se conhecer a disponibilidade muito perto do momento da destruição do valor.

A quinta dificuldade está na certificação das propriedades do que está a ser proposto para a troca, na geração de confiança entre os intervenientes e na certificação daquelas propriedades.

Sistemas que, em tempo real ou quase em tempo real, efectuam a análise de comportamentos da compra, da oferta e da procura; que façam a gestão dos preços (termos de troca e diferenciação); que façam a gestão da comunidade dos potenciais interessados e que conheçam a sua localização; que possibilitem a realização de campanhas e promoções online; que garantam a confiança necessária ao estabelecimento da troca, são alguns dos ingredientes para criar valor e evitar a sua destruição. Sistemas que permitam credibilizar as transacções sem a presença dos indivíduos e que permitam aumentar a comunidade de interessados, tornando, assim, possível a realização de trocas entre indivíduos em geografias diferentes.

A comunidade e os seus órgãos de gestão, depois de adoptarem o conceito, poderão intervir com medidas de política, criando estruturas de pessoas e de sistemas que contribuam, entre outras, para a criação de comunidades de troca, certificação de produtos, realização de campanhas de promoção. É mais do que certo que as micro, pequenas e médias empresas não conseguirão, por si só, ter acesso a estes mecanismos e sistemas, hoje imprescindíveis para a participação no mercado global. A intervenção do poder público deverá ser catalisadora deste movimento, criando as condições para a adopção de processos e sistemas e, até mesmo, intervir, criando comunidades locais onde se estimule a participação dos cidadãos, das famílias e das empresas em mercados marginais.

Como criar uma comunidade social de proximidade?

Uma check-list:

  • Definir o grau de abrangência da comunidade e o processo angariação de membros;
  • Criar uma “moeda de troca virtual” não monetária que servirá para definir os termos de troca entre os participantes: “créditos sociais”;
  • Elencar os produtos e serviços que farão parte do “cabaz de trocas” entre a comunidade. No caso de optarmos por produtos físicos, teremos que disponibilizar os locais de armazenamento, de entrega e levantamento dos produtos:
    1. Locais de recepção (locais já existentes que não estejam em uso);
    2. Locais de exposição e entrega;
    3. Locais de armazenamento;
  • Criar a comissão instaladora da comunidade, atribuir a liderança e dotá-la dos meios e recursos necessários ao arranque (disponibilidade de pessoas, uma sala de reuniões e uma parceria com uma plataforma de gestão de comunidades);
  • Elaborar o plano estratégico para a comunidade:
    1. Membros (Individuais, Associações, Empresas, …);
    2. Cabaz de Trocas;
    3. Política de definição dos termos de troca;
    4. Meios e serviços a envolver;
    5. Macro-processos;
    6. Sistemas;
  • Captar contributos da sociedade para a comunidade, nomeadamente, Bombeiros Voluntários, Associações Desportivas, Culturais, Associações de Comerciantes, etc.;
  • Formação dos Envolvidos;
  • Elaborar o Regulamento de Funcionamento e o Manual de Operações;
  • Elaborar o Plano de Marketing e o Plano de Acção.

Este ensaio, estruturado em duas partes de 3 artigos cada, conclui com o próximo texto, onde continuamos a listar os elementos a reunir para concretizar esta visão de criação de valor a partir de comunidades de proximidade. Uma abordagem prática, concreta e urgente.

por Fernando Femenim Santos, Administrador da SINFIC e Tuamutunga

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