Alguns princípios da gestão

Management Principles

Duma forma simples, pode-se dizer que em todas as organizações, desde as Nações, às Famílias e na própria vida individual há Gestão, porque continuamente se executam um conjunto de actividades utilizando vários recursos e, de forma mais ou menos sistematizada, se vão tomando decisões e criando sistemas e processos que tornam mais eficientes a execução dessas actividades.

Há, todavia, uma diferença entre a Gestão resultante da mera repetição da prática e resultante do natural bom senso e a Gestão como metodologia científica que se aplica às organizações que, também de forma simples, podemos definir em duas características: – A Gestão científica das organizações resulta da sistematização racional e desenvolvida de experiências práticas e apresenta soluções que, em princípio, optimizam o funcionamento e os resultados das organizações; – A Gestão científica permite que se actue a partir de decisão e de organização antecipadas, com efeito de médio prazo, evitando erros e, portanto, não é uma mera resposta à prática.

Por haver Gestão assim sistematizada é possível que as organizações iniciem a sua actividade beneficiando da aprendizagem de séculos da actividade de organizações anteriores.

Há duas crenças que estão subjacentes à disciplina de Gestão e à própria existência das organizações, são elas:

  •  Crê-se que a sinergia é possível, isto é, que o resultado da actividade de uma organização é superior ao resultado que se obteria se fossem somados os resultados da actividade de cada indivíduo a agir isolado;
  •  Crê-se que as organizações podem aprender com o seu passado e umas com as outras e que essa aprendizagem é transferível para a actividade futura.

Qualquer destas duas crenças não é tão evidente como possa parecer à primeira vista. De facto, quanto à sinergia, o princípio da natureza é precisamente o inverso, isto é, sempre que se juntam duas coisas a regra geral, se não houver intervenção inteligente, é que haja perda. Quanto à aprendizagem ela é, por natureza, o resultado de um esforço inteligente, o que quer dizer que exige vontade, energia e racionalidade.

A Gestão das organizações é, naturalmente, complexa e sem se ser exaustivo poder-se-á citar alguns problemas que têm de ser resolvidos:

  1. Em primeiro lugar, as organizações usam recursos. Ora bem, logo que se usam recursos coloca-se a questão da qualidade e da quantidade desses recursos. Quais os melhores? qual a quantidade adequada? que tipos de recursos? Não parecem ser questões fáceis de responder se não se fizer uso de sistematização científica;
  2. Em segundo lugar, os recursos necessários à organização são de tipo muito variado. Recursos financeiros, equipamentos, matérias primas, energia, informação e, talvez o mais importante, pessoas. Não parece verosímel que se possam gerir recursos tão variados da mesma forma e usando o mesmo saber. Por isso, a Gestão é uma disciplina de saber diversificado e complexo, tanto mais, que no fim se pretende que todos esses saberes sejam integrados e coordenados na mesma organização;
  3. Em terceiro lugar, as organizações só têm razão de existir quando satisfazem necessidades de clientelas. Seja qual for a designação que se adopte – clientes, utentes, contribuintes, cidadãos, alunos ou pacientes – sem clientes e as suas necessidades não há produto ou serviço com algum valor. Escolher, conquistar e manter clientelas não é tarefa fácil nem pode ser deixada, apenas, ao acaso ou ao simples bom senso;
  4. Em quarto lugar, as organizações têm objectivos e regras de funcionamento. É, por isso, que se distinguem de um amontoado de pessoas misturadas com ferramentas, máquinas e materiais. Para não ser destroçada, cada organização tem de reflectir inteligentemente sobre quais os objectivos qualitativa e quantitativamente exequíveis e quais as regras adequadas. É natural que a sistematização de toda a experíência anterior de outras organizações seja muito útil para responder a esta questão;
  5. Em quinto lugar, as organizações concorrem umas com as outras. Esta concorrência tanto se faz para a conquista de clientelas, como para a captação de recursos. Tanto clientelas como recursos são limitados e de diferentes valores. Umas organizações conseguirão os melhores, outras os piores. Além disso, o que é melhor para determinada organização pode não o ser para outra. Como resolver esta complexa questão com o mínimo de segurança se não através de uma metodologia científica?
  6. Por último, porque a lista já vai longa e não porque não haja mais a referir, as organizações têm de sintetizar e coordenar tudo isto num sistema inter-activo, isto é, a quantidade e qualidade de recursos tem de estar adequado às clientelas, ser coerente e consistente com os objectivos, usufruir de competências disponíveis necessárias e, tudo isto, tem de ser exequível num contexto concorrêncial turbulento. Todos estes factores têm de estar equilibrados uns com os outros, naquilo que se chama o Sistema de Gestão. Não se pretende que nenhum deles esteja a mais ou a menos que o adequado, mas sim em equilíbrio. Criar equilíbrio quando o contexto é prenhe de tensões para o desequilíbrio, exige racionalidade.

Em consequência dos vários desafios apontados, as organizações devem cuidar, antes de tudo, por serem dirigidas por gestores que possuam o saber e a competência da ciência da gestão.

Serão esses profissionais que possibilitarão que uma organização ultrapasse melhor e mais rapidamente os desafios que se vão apresentando, sejam eles oportunidades atractivas, sejam eles ameaças bloqueadoras do desenvolvimento.

Ser gestor também é uma especialização como muitas outras. Como tal, exige um profissionalismo próprio, um saber tão amadurecico quanto possível e uma capacidade, ou aptidão, para a actualização permanente desse saber.

por Francisco Lopes dos Santos

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